quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Era uma vez...Maria


Era uma vez um lindo país em que mora a menina Maria.
Neste país existiam muitas casas,ruas e avenidas.
Existia uma espaçosa praça,no bairro onde ela morava.
Nela as crianças brincavam na grama, nos balanços e nos escorregos.

Em frente, localizava-se a igreja onde todos os domingos assistiam-se missas e no mes de maio acompanhavam-se as procissões.
As crianças brincavam no meio da rua, jogavam bola,
]andavam de bicicleta e eram alegres.

A menina gostava muito de morar naquele lugar, apesar de ficar triste com algumas atitudes das pessoas que conviviam com ela.

Maria aprendeu tudo na escola: ler, escrever, contar,
conhecimentos gerais, apesar de não ser considerada uma das melhores
em sala de aula.

E,certo dia, num desses momentos tristes e decepcionantes,
chorou muito decidindo escrever para desabafar,
pois não tinha ninguém para falar e contar suas tristezas.
Apesar de possuir muito para ser uma menina feliz !

Então, começou a escrever no seu diário
aquilo que lhe entristecia e decepcionava...


¨Sinto vergonha pelos vários acontecimentos que me levaram apagar a minha luz. Sinto piedade daqueles que não me deixaram desabrochar com carinho.
Tenho tanto medo das lembranças desse passado, que não deveria ter existido dessa forma.
Confio no futuro e na luta que me levará ao verdadeiro destino que mereço.
Posso apontar todos os enganos, mas não encontro razões para tanto castigo.
Meu coração sentia uma dor imensa, um sofrer de não compreender por que tudo aquilo era para mim.
Como gostaria de ter sido respeitada nos momentos que mais amei na vida.
Havia sempre um impecilho quando pretendia dançar, namorar, casar, ser mãe, trabalhar...
Era como se eu não tivesse o direito natural e igual ,as outras pessoas,
de vivenciar tudo aquilo espontaneamente.


Pode parecer ¨complexo¨ou ¨mania de perseguição¨, mas não foi.
Sempre gostei de dançar e cantar
(apesar de desafinar) ,e isso, muitas vezes,
serviu de zombaria para as pessoas.

Nunca consegui fazer aquilo de modo natural na visão dos outros.
Tudo foi motivo de negação.
Só ouvi ¨não¨ na vida.

Foi uma verdadeira perseguição sem motivos.
Não pensem que eu serei pior que os esses perseguidores.
Meu objetivo é conhecer pessoas que me vejam como realmente sou, sem ser necessário me humilhar e tentar destruir meu amor próprio.

Existe uma passagem na adolescencia que jamais sairá da minha mente e do coração.
Foi um desfile escolar para comemorar o 7 de setembro, no bairro.
Tinha ganho uma bicicleta e aprendi a guiá-la muito bem, modesta parte, apesar de ser deficiente.
A escola que estudava, também, iria participar desse desfile e eu decide sair no pelotão dos ciclistas.
O instrutor desse pelotão quase não me deixou participar, alegando que eu era feia e iria estragar o pelotão... por ser diferente das outras.
Mas,apesar disso, consegui participar, e no dia do desfile, esse instrutor se colocou na minha frente para que eu desequilibrasse ,caisse e estragasse a coreografia que fiz corretamente.
Seu propósito seria me deixar culpada, pois com o meu erro provaria que ele estava certo ao me recusar em fazer parte daquele pelotão.

Esse fato, foi a primeira experiencia negativa que me mostrou quanto o ser humano pode ser cruel, mesquinho, sem amor ao próximo.
Como se pode formar cidadãos desta maneira?
Mesmo que isso tenha ocorrido nos anos 70, onde pouco se falava sobre preconceito e inclusão social, aquela criatura precisava, no mínimo, de ter a noção de família, fraternidade,de caridade. Caridade, não apenas em dar o que lhe sobra materialmente, e sim, respeito, amor e consideração....

Até hoje, tudo isso me magoa, pois nenhuma daquelas colegas que estavam ali, me deram uma palavra de apoio.
Nós eramos adolescentes, convivendo em comunidade e tinhamos de nos unir, nem que fosse para defender o direito de quem o tinha naturalmente.
Não estava naquele local para tomar o lugar de ninguém. Queria apenas conquistar o espaço que me era de direito, e aquele ignorante tentou colocar no meu íntimo uma mancha que poderia ter me transformado meu carater ruim, vingativo ou pior.
Porém, não foi o caso, porque sempre acreditei no meu potencial, apesar das minhas limitações.
Não vim aqui para sentirem dó de mim.

Escrevo como um desabafo, e talvez, para tentar entender tanta maldade e injustiça.

É como fala a música:...São tantas coisinhas miúdas...¨



Rogeria Costa

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