segunda-feira, 2 de maio de 2011

ADORMECIDA (Espumas Flutuantes) Castro Alves






Adormecida
(Espumas Flutuantes)

Uma noite, eu me lembro...Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão...solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.

'Stava aberta a janela.
Um cheiro forte de agreste.
Exalavam as silvas da campina
E ao longe, um pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.

(...)

Era um quadro celeste...A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...

(...)

Eu fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
" Ó flor! - tu és a virgem das campinas! " Virgem! - tu és a flor da minha vida!...


Castro Alves





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